Fundador do Jornal do Caeté, professor, advogado e homem dedicado às
letras, Jorge Daniel de Sousa Ramos terçou armas contra opressores, anti-democratas
e inimigos que encontrou pela frente, enfrentou-os com arma mais terrível que
dispunha: o verbo incandescente, a palavra que ele sabia como poucos manejar.
No jornal fazia de tudo, editoriais, crônicas, noticiário local, tendo com fiel
escudeiro o gráfico Alcides Lício Ribeiro. A vasta produção literária de Jorge Ramos
está, como a de grande parte da imprensa do Pará e em especial nos suplementos
literários da década de 40, muitos em “O Estado do Pará”. Participou da Antologia da Cultura Amazônica,
organizada por Carlos Rocque, com o “Poema da saudade”;
Eu trago o coração cheio de
saudades. Inúmeras saudades (...)
Dá. Dispersa estas saudades.
São todas tuas...
E são tantas...
Porque a vida é finalmente
essa saudade imensa, eterna,
Dos bons momentos vivemos e
que nunca mais voltarão...”
Publicado no “Jornal do Caeté”,
encontramos o poema “Elegia”, mais uma mostra do admirável talento desde poeta:
Eunice dorme eternamente
Entre rosas e magnólias
Sem mágoa e sem pecado (...)
Esse acalanto, Eunice,
É desesperança
É canção finada
Sobre o teu corpo
Inviolado (...)
Teus olhos tristes
Na tarde fria
Já não virão
Estrela morta.
A 4 de julho de 1981, falece o
poeta Jorge Ramos, um defensor intransigente da bragantinidade, de sua terra.
Autor: Alfredo Garcia
__________________
NOTA:
Texto da Revista Bragantina
Referência:Revista Bragança: Academia
Bragantina de Artes e Cultura Popular – ABACP. Bragança, Pará, Brasil – Ano IV
– nº 03 – Março/2006.,p. 04.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário